A história de um menino que sonhou e realizou

É difícil colocar no papel toda a minha história detalhadamente devido os acontecimentos terem sido muitos e às vezes com o tempo não conseguimos armazenar tantas informações. Porém tentarei resumidamente contar minha história, que nada mais é de um menino que começou a trabalhar muito cedo com um grande sonho e conseguiu atingi-lo devido a determinação e vontade de vencer.

Meu nome é José Osvaldo de Oliveira. Nasci em José Boiteux cidade vizinha de Ibirama em Santa Catarina onde morei ate os cinco anos de idade. Após os cinco anos mudamos para Blumenau, meu pai começou a trabalhar de servente de pedreiro onde ate então só tinha trabalhado na agricultura, minha mãe trabalhava em uma empresa que tinha como função selecionar fumos para sustentar eu e os meus sete irmãos, que somos três homens e cinco mulheres.

Sempre tive uma educação muito rígida dos meus pais e por constituirmos uma família muito humilde sofri bastante para adquiri o pouco estudo que tenho. Andava quinze quilômetros a pé para ir ao colégio, estudei ate a sétima serie do colegial, e aos nove anos comecei a trabalhar na agricultura para ajudar em casa. Passei a trabalhar em um deposito de ferro velho, onde mexia com osso, vidro, papelão e outros. Trabalhava durante a semana nesse depósito e final de semana trabalhava na rua catando osso, ferro e papelão para ter um dinheiro extra para comprar a tão sonhada bicicleta, já que o salário que ganhava ficava com meu pai para ajudar nas despesas em casa.

Desde pequeno adorava caminhão, tinha uma enorme paixão por eles e ai comecei a pensar em algo que me aproximasse mais de caminhões. Foi neste momento que aos meus dezesseis anos passei a trabalhar em um posto de gasolina. Fazia de tudo um pouco, era frentista, lavador, borracheiro enfim foi a minha oportunidade de aprender a dirigir. Fazia manobras para os clientes e me identificava e me apaixonava pelos caminhões cada dia que passava. Sonhava em fazer dezoito anos para poder fazer a minha carteira de habilitação e poder realizar o meu maior sonho de trabalhar com caminhão.

Quando fiz os meus dezoito anos fui correndo fazer a minha carteira de habilitação e fui trabalhar com meu tio em Joaçaba (SC). Por causa da minha pouca experiência meu tio me deu uma Kombi para trabalhar e vender confecções que ele e minha tia fabricavam. Esse foi o momento que comecei a viajar, e aos poucos realizar meu sonho. Ficava ate quinze dias vendendo roupas no Oeste Catarinense onde o meu local de descanso e refugio era a Kombi. Após quinze dias voltava para repor mercadoria e fazer acerto das mercadorias vendidas, e assim foi durante um ano. Nas viagens que fazia percebi que havia muita sucata e estas não eram muito exploradas naquela região, com esta percepção tive a ideia de abrir um ferro velho em sociedade com meu tio e meu primo. Da ideia nasceu a empresa. em sociedade. Alugamos um terreno, compramos um caminhão usado Chevrolet ano 51, e após um ano e meio compramos um caminhão novo com o dinheiro que tínhamos conseguindo com os rendimentos da empresa. Porem mais tarde resolvi desfazer a sociedade e correr atrás do meu sonho que era viajar com um caminhão próprio. Neste momento quando resolvi ir para Blumenau e desfazer a sociedade, o que me restou foi o caminhão Chevrolet ano 51 carregado de sucata, e por ser um caminhão a gasolina era inviável para viajar,ao chegar em Blumenau vendi o mesmo e comprei um caminhão a diesel Ford 1969 e comecei a fazer a linha de Blumenau para Porto Alegre pela Transportadora Aurora.

transportadora-aurora-1979

 

Este novo desafio deu iniciou ao começo de grandes realizações e dificuldades. Por falta de experiência na serra de Caxias do Sul fiquei sem freio e tive que pular do caminhão andando em serra abaixo ocasionando a perda total do caminhão onde o que sobrou apenas foi o motor que era novo. Por falta de opção tive que vender o caminhão no ferro velho, fiquei a espera da venda do mesmo, porque na época era muito difícil a venda de caminhão usado, após três e longos meses de espera consegui vende-lo, e com o valor e o motor do caminhão anterior dei de entrada no pagamento em um Ford 1964 , era o único que poderia comprar pois ainda estava pagando o motor do caminhão anterior. Após a compra comecei a trabalhar novamente, fazia três viagens por semana de Blumenau, Joinville a Porto Alegre. Todo o tempo que eu tinha, o usava da melhor forma possível para viajar, e alcançar o próximo objetivo que era pagar o caminhão. Infelizmente tempo para dormir, descanso e lazer era o que eu menos tinha. Após um ano de muitas viagens, consegui pagar o caminhão com muito sacrifício, porém neste momento outros objetivos eu já tinha traçado.

Devido à grande dedicação, responsabilidade e eficiência o gerente da empresa que eu trabalhava gostava do meu trabalho e reconheceu o mesmo sugerindo que eu colocasse mais um caminhão na rota, pois eu exercia bem o meu trabalho e o volume e demanda de carga naquela rota tinha aumentado bastante. Por gostar de desafios e ser apaixonado por caminhões, acatei a ideia do gerente da empresa e após o caminhão pago, comprei mais um caminhão e contratei um motorista para fazer à mesma rota. Mesmo assim ainda continuei a viajar por doze anos, sofrendo o dia a dia como motorista, passando por dificuldades com o próprio veículo, mas por amor a profissão não desistia nunca, e sempre traçava novos objetivos que eu acredito que adoçam a vida e nos proporcionam novos desafios todos os dias. Anos se passaram e o máximo que eu conseguia economizar eu investia em caminhões.

Após ter o quinto caminhão resolvi parar de viajar e ficar cuidando dos veículos que havia adquirido. Em 1986 registrei a minha empresa José Osvaldo de Oliveira Transoliveira, e em 1989 apareceu à oportunidade de trabalhar com a comercialização de gás de cozinha, onde após pesquisas e negociações comprei o depósito de um amigo que estava passando por dificuldades. Durante sete anos revendi gás da companhia Ultragás, e após esse período comecei a representar a Liquigás em toda a cidade Joinville e algumas regiões próximas. Hoje vendemos a média de 300 toneladas ao mês, graças ao esforço e muito trabalho. Ao longo desses anos, a partir da necessidade de pessoas de confiança dois irmãos meu começaram a trabalhar comigo, o Vilmar trabalhou 25 anos e era responsável pela frota da empresa, e Marcelo há 23 anos é o gerente financeiro até hoje. Aos poucos a empresa tornou-se familiar, da qual atualmente minha esposa, minha filha e meu filho também trabalham comigo na área administrativa onde a família não mede esforços e se dedica todos os dias a fim de manter a empresa com um crescimento saudável, garantindo a eficiência e a qualidade dos nossos serviços. Com o empenho da equipe, e reconhecimento do serviço da Transoliveira, grandes oportunidades apareceram, sendo elas trabalharmos com carga direta Unilever, entre outros clientes e após um grande desempenho deste, descobrimos que as cargas fracionadas atualmente estavam necessitando de uma empresa como a Transoliveira. Jovem, organizada, com vontade de conhecer novos horizontes.

Desta forma, em 2003 demos inicio a carga fracionada, que tem como remetente todo o estado de Santa Catarina, e seus destinos, os estados de Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo, Distrito Federal, Tocantins e Rio de Janeiro. Esse novo desafio proporcionou um crescimento significante para a empresa, que hoje tem um quadro de mais de 400 funcionários, 25 filiais entre elas parceiros, 109 carretas e cavalos, 32 caminhões entre outros utilitários usados para a distribuição de gás e transporte.

Fico feliz em ver hoje meu maior sonho realizado, todos unidos e caminhando juntos para um único objetivo, que é dar continuidade a esse sonho que se tornou realidade. Talvez nunca tivesse imaginado, que eu um menino tão humilde conseguiria tudo o que consegui, mais acredito que nada é por acaso, se cheguei aonde cheguei foi devido a minha força de vontade e persistência. Se me perguntarem o segredo para vencer, devemos em primeiro lugar ter muita fé, humildade e honestidade, e sempre devemos fazer muito mais que somos pagos para fazer.

Agradeço a Deus por ter me proporcionado saúde e ter me acompanhado sempre. E dedico essa vitória ao meu filho Fernando, que era deficiente físico e hoje não está mais entre nós. Ele foi à grande fonte de força, ele era apaixonado como o pai pelos caminhões, e mesmo não falando, e andando, todos os dias ao chegar em casa, me dava um sorriso, e forças para continuar e não desistir nunca.

José Osvaldo de Oliveira

2015